A Irmandade dos Rosário é uma comunidade negra e atua informalmente preservando a cultura e as tradições da família Aviz do Rosário, originária dos Campos de Bragança - nordeste do Pará. Parte da família veio para a zona metropolitana de Belém através dos fluxos migratórios, mas mesmo na cidade tentam manter os costumes de sua cultura de origem.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Narradores de Javé" parece com Belo Monte, né!?

A montagem do cineclube é colaborativa e envolve toda a comunidade.
A comunidade chegou cedo para montar a tela de projeção e arrumar tudo para esperar o filme.  Sessão que lotou a varanda do bar do sr. Márcio e teve até pessoas assistindo do meio da rua.
E foi a similaridade do que viveu o povo de Javé no enredo do filme de Eliane Caffé com a situação que hoje vivem dos paraenses de Altamira e do alto Xingu o assunto que tomou conta das conversas sobre o filme "Os narradores de Javé".
As falas sobre o filme foram aos poucos revelenado a percepção sobre o comportamento desrespeitoso com a história e os valores dos mais pobres, assim como com a hostória e com os valores dos povos e das comunidades tradicionais, por parte daqueles que defendem a imagem do progresso como a realização de grandes obras de engenharia para o fornecimento de energia elétrica para a instalação de industrias.
O triste foi constatar que os desrespeitosos estão sempre entre os governantes.
A sessão do cineclube proporcionou uma outra reflexão sobre o progresso, e as narrativas que surgiram dessas conversas caminharam para a construção de uma outra noção de progresso que considere o humano e a vivência no lugar...
Talvez apenas divagações para fazer sonhar um futuro qualquer que venha depois de embalar em punhos de redes o sono nesta noite que chegou com o cheiro de terra molhada...


A comparação foi com Belo Monte...


O cineclube é uma parceria da Irmandade dos Rosário com o Conselho de Associações das organizações dos moradores das comunidades Sta. Helena, Jardim Botânico, Samambaia, São José, Geraldo Palmeira, Nova Independência, Maria Pantoja, Nair Cabral e Fernando Correia. Conta com o apoio e parceria do PET Conexão de Saberes/ PROEX -UFPA; da rede [aparelho]-: que colabora com empréstimo de equipamentos de projeção, do Cineclube Nangetu/ Projeto Azuelar que fornece os filmes de seu acervo, da Federação Paraense de Cineclubes - PARACINE e Conselho Nacional de Cineclubes que, além do apoio institucional, contribuem com o debate ao final da sessão. 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Magia de Jinsaba - mutirão de reflorestamento em fevereiro.

Maria José do Rosário reuniu os jovens da Irmandade dos Rosário para um mutirão de plantio de mudas de árvores nativas na mata que protege a nascente de água do sítio. Foram plantadas mudas de mogno, castanheira e andiroba, que foram levadas para as clareiras abertas pelas recente queda de árvores adultas.
O projeto “A magia de Jinsaba – sem folhas não tem ritual”, é desenvolvido pela Irmandade dos Rosário em parceira com o Instituto Nangetu, relacionando a preservação do meio ambiente  à preservação dos conhecimentos tradicionais.



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Almoço de domingo: peixe assado com tempero da Ana Maria.

Qualidade de vida é uma expressão que deve ser traduzida em coisas assim como um bom almoço preparado com afeto e temperos plantados no quintal. Ana Maria do Rosário prepara aqui uns 'canguiros' e 'cavalas' vindos direto dos barcos de pescadores de Bragança pra refeição dominical.


















sábado, 11 de fevereiro de 2012

Memórias da Marujada, por Alzira do Rosário.

Analia foi a primeira de nós a sair de Maruja (arquivo de família).
 
Roberta Luciana seguiu o exemplo da prima e foi pioneira das Marujas (arquivo de família).

Todos os anos a Irmandade dos Rosário faz questão de se deslocar de Belém, Ananindeua e Marituba para participar das festividades de São Benedito, e à cada ano um amigo se junta a nós para acompanhar o cortejo do santo. Este ano foram o Genilton, o Fabrício e o Zezinho que compartilharam conosco a alegria de ser Marujas ou Marujos na procissão do santo preto.

Marujos do Rosário com amigos na pocissão (foto de Laíza Maria Santos).
 
Não posso dizer com precisão quem foi a primeira Rosário a ser Maruja, mas na minha memória é a Xandu ainda jovem, eu lembro que ela teve um problema na garganta e fez uma promessa pra São Benedito.
Nós morávamos nos 'Campos de baixo', e por lá o tratamento era com remédios tradicionais, que eu não sei o porquê que custou muito a sarar, foi aí que ela resolveu ir pra Bragança atrás de tratamento na medicina de doutor, tomou antibiótico, andou em posto médico e passou um tempo na cidade. Foi por essa época que ela fez uma promessa: que se ela ficasse boa, enquanto fosse viva sairia de Maruja na procissão do Benedito.
A Xandu fez a promessa mas teve dificuldade com a indumentária, pois o chapéu é caro, foi quando mamãe Maxica, tia da Xandu e matriarca da irmandade dos Rosário, mesmo sem nunca ter feito um chapéu de Maruja, se apresentou como artesã e presenteou a sobrinha com a indumentária necessária para pagadoras de promessas.
Prima Xandu (sentada) de Maruja nas festividades de 2011 (Foto de Zezinho Liberato Nogueira).
Hoje, quase aos setenta anos, quando vai chegando dezembro a Xandu tem que mobilizar os parentes próximos para que consiga cumprir a promessa feita. Hoje ela tem a preocupação de um mínimo de segurança para poder deixar a Ilha do Fujão e se deslocar até o centro de Bragança com o conforto e necessário para uma mulher de sua idade acompanhar os festejos de São Benedito. 
Eu com minha sobrinha Renata (foto Laiza Maria Santos)
No meu caso também foi uma promessa, eu fiquei doente e uma colega de trabalho fez a promessa para que eu saísse de maruja por três anos, e me senti na obrigação de cumprir a promessa dos outros. Mas se for pra falar só do povo da Maxica, a primeira mesmo foi a Analia que ainda criança se arrumou de Maruja e acompanhou a procissão, mas ela foi por pura curiosidade. Mamãe fez o chapéu e eu costurei a roupa pra ela.
Maria Luiza se preparando para a procissão (foto Laiza Maria Santos).
Depois disso a presença dos Rosário na procissão virou tradição e todos nós fazemos questão de, em dezembro, oferecer o almoço que Mãe Maxica fazia para o pessoal da esmolação do santo, de costurar nós mesmos as saias e as blusas das mulheres e as roupas dos homens da minha família, de encapar chapéus dos homens e de enfeitar os chapéus das mulheres para no dia 26 de dezembro fazermos bonito na procissão.

Ananindeua, 10 de fevereiro de 2012.

Alzira Aviz do Rosário.



Odiléia com os netos Rafael e Maria Luiza (foto Laiza Maria Santos)

Joice com o filho Bernardo (foto Laiza Maria Santos).



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Estréia do Filme Xandu, de Renata Lira e Arthur Leandro.

O filme Xandu, de Renata Lira e Arthur Leandro está no terceiro dia da Mostra Bruno Assis de Jovens Realizadores, dentro do Festival de Cinema Amazônia Doc.3 - a exibição será às 14h de 10/11 no SESC Boulevard, e pode ser visto nesse link: http://vimeo.com/31058312

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Produção de urucum.

A Irmandade dos Rosário procura manter conhecimentos tradicionais, neste mês de abril foi a vez de coletar os frutos de urucum e produzir corante comestível.












Fotos de Arthur Leandro

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Óleo de andiroba - segunda etapa do processo.

Chegado o dia de preparar a massa para o 'escorrer da andiroba'. Xandu reuniu membros da irmandade dos Rosário para ensinar os procedimentos para obter o óleo.
As amêndoas foram quebradas e do seu interior se reitirou a matéria que, depois de amassada, foi colocada em uma calha feita de lata de manteiga para esperar o óleo de andiroba escorrer.
Antes de completar uma semana de espera do escorrer do óleo, a Irmandade já registrou quase 300 ml de óleo produzido.
Esses processos de aprendizagem em que é necessário acompanhar e ajudar o trabalho da Mestra do Conhecimento para poder aprender fazendo junto é parte do projeto “A magia de Jinsaba – sem folhas não tem ritual”, desenvolvido pela Irmandade dos Rosário em parceira com o Instituto Nangetu, onde a preservação do meio ambiente está intimamente ligado à preservação dos conhecimentos tradicionais.







domingo, 9 de janeiro de 2011

Óleo de andiroba – 1ª etapa do processo.



Para a Irmandade dos Rosário que mora em Ananindeua, o mês de janeiro de 2011 será lembrado pelo aprendizado da extração do óleo de andiroba. Para isso foi imprescindível a vinda da Dona Antônia do Rosário, a “Prima Xandu”, que chegou direto da Ilha do Fujão nos “Campos de Baixo”, em Bragança, para repassar os conhecimentos familiares.

Esses processos de aprendizagem em que é necessário acompanhar e ajudar o trabalho da Mestra do Conhecimento para poder aprender fazendo junto é parte do projeto “A magia de Jinsaba – sem folhas não tem ritual”, desenvolvido pela Irmandade dos Rosário em parceira com o Instituto Nangetu, onde a preservação do meio ambiente está intimamente ligado à preservação dos conhecimentos tradicionais.

Xandu explicou que as amêndoas de andiroba tem época para cair, e que é neste período de chuvas que temos que coletar ao máximo as amêndoas para preparar o óleo que será usado durante o ano inteiro. Ela contou que as árvores ficam nas margens de rios e igarapés, e que é debaixo delas que estão em maior quantidade, mas que as amêndoas também bóiam e que por isso são encontradas nas margens dos rios.

Depois de vários dias de coleta na mata ciliar da área da Irmandade, Xandu ensinou a separar as amêndoas para retirar o óleo, escolher as que estão brotando para fazer mudas de replantio, e a cozinhar, abafar a andiroba e guarda-la para esperar o tempo de iniciar a etapa seguinte – a retirada do óleo.

Ela também explicou que as lagartas adoram a semente de andiroba, e que depositam seus ovos nos ouriços caídos, e que onde tem andiroba tem muita borboleta.

Para a criançada o trabalho teve sabor de brincadeira, encontrar as amêndoas parecia a descoberta de um mundo novo, o mundo da relação sustentável com o meio ambiente, enquanto para os adultos todo o processo fêz reviver a memória dos tempos de vivência nos Campos de Bragança.

Renata do Rosário Lira aproveitou para reunir todos os que tem aparelhos de telefonia móvel e máquinas fotográficas portáteis para registar tudo o que aconteceu, e em breve o Irmandade vai lançar um vídeo documentáriocom os ensinamentos de Xandu para fazer óleo de andiroba.





















Xandu
irmandade dos rosário - andiroba_transmissão de conhecimentos4