A pobreza para nós significava muito por causa de nossa história. Vivíamos nos campos de cima São João, lugar de rara beleza. Em frente a nossa casa tinha um lago imenso, na lateral direita plantio de fumo, na lateral esquerda cafezal e nos fundos, casa de farinha e mandiocal. Não sei direto o porque, só sei que o papai vendeu essa a casa e o terreno e fomos todos nós morar em Bragança. Diria minha mamãe: viemos para cidade pra (dês)burrar vocês. Na cidade de Bragança moramos em três casas. Da última, lembro-me perfeitamente e tenho as melhores lembranças: o piso era de assoalho (tábuas velhas), brincávamos lá embaixo com as bonecas de vidros quadradas, redondas, finas, grossas pretas, transparentes de todo tipo, era tudo o que tínhamos para brincar, além, é claro do nosso quintal, lá o “bicho” pegava. Passávamos horas a fio brincando e sonhando.
Continuo brincando e sonhando...
Maria José Aviz do Rosário
A Irmandade dos Rosário é uma comunidade negra e atua informalmente preservando a cultura e as tradições da família Aviz do Rosário, originária dos Campos de Bragança - nordeste do Pará. Parte da família veio para a zona metropolitana de Belém através dos fluxos migratórios, mas mesmo na cidade tentam manter os costumes de sua cultura de origem.
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
Memórias da infância
A pobreza para nós significava muito por causa de nossa história. Vivíamos nos campos de cima São João, lugar de rara beleza. Em frente a nossa casa tinha um lago imenso, na lateral direita plantio de fumo, na lateral esquerda cafezal e nos fundos, casa de farinha e mandiocal. Não sei direto o porque, só sei que o papai vendeu essa a casa e o terreno e fomos todos nós morar em Bragança. Diria minha mamãe: viemos para cidade pra (dês)burrar vocês. Na cidade de Bragança moramos em três casas. Da última, lembro-me perfeitamente e tenho as melhores lembranças: o piso era de assoalho (tábuas velhas), brincávamos lá embaixo com as bonecas de vidros quadradas, redondas, finas, grossas pretas, transparentes de todo tipo, era tudo o que tínhamos para brincar, além, é claro do nosso quintal, lá o “bicho” pegava. Passávamos horas a fio brincando e sonhando.
Continuo brincando e sonhando...
Maria José Aviz do Rosário
Continuo brincando e sonhando...
Maria José Aviz do Rosário
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Ensaio fotográfico do Zezinho Liberato Nogueira com a prima Xandu nos Campos da Ilha do Fujão.
| Xandu com uns cachos de pitoba dos Campos da Ilha do Fujão. |
| Xandu em sua casa na Ilha do Fujão |
| Ana Alice e prima Xandu |
| Sbazinho e prima Xandu |
| Ana Alice, Zezinho, Xandu, Maria Joana e Sabazinho. |
A Irmandade dos Rosário ganhou este presente em forma de imagens da prima Xandu, são do amigo Zezinho Liberato, feitas em dezembro de 2011 durante as festividades da marujada.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Memórias da Marujada, por Alzira do Rosário.
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| Analia foi a primeira de nós a sair de Maruja (arquivo de família). |
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| Roberta Luciana seguiu o exemplo da prima e foi pioneira das Marujas (arquivo de família). |
Todos os anos a Irmandade dos Rosário faz questão de se deslocar de Belém, Ananindeua e Marituba para participar das festividades de São Benedito, e à cada ano um amigo se junta a nós para acompanhar o cortejo do santo. Este ano foram o Genilton, o Fabrício e o Zezinho que compartilharam conosco a alegria de ser Marujas ou Marujos na procissão do santo preto.
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| Marujos do Rosário com amigos na pocissão (foto de Laíza Maria Santos). |
Não posso dizer com precisão quem foi a primeira Rosário a ser Maruja, mas na minha memória é a Xandu ainda jovem, eu lembro que ela teve um problema na garganta e fez uma promessa pra São Benedito.
Nós
morávamos nos 'Campos de baixo', e por lá o tratamento era com
remédios tradicionais, que eu não sei o porquê que custou muito a
sarar, foi aí que ela resolveu ir pra Bragança atrás de tratamento
na medicina de doutor, tomou antibiótico, andou em posto médico e
passou um tempo na cidade. Foi por essa época que ela fez uma
promessa: que se ela ficasse boa, enquanto fosse viva sairia de
Maruja na procissão do Benedito.
A
Xandu fez a promessa mas teve dificuldade com a indumentária, pois o
chapéu é caro, foi quando mamãe Maxica, tia da Xandu e matriarca
da irmandade dos Rosário, mesmo sem nunca ter feito um chapéu de
Maruja, se apresentou como artesã e presenteou a sobrinha com a
indumentária necessária para pagadoras de promessas.
| Prima Xandu (sentada) de Maruja nas festividades de 2011 (Foto de Zezinho Liberato Nogueira). |
Hoje,
quase aos setenta anos, quando vai chegando dezembro a Xandu tem que
mobilizar os parentes próximos para que consiga cumprir a promessa
feita. Hoje ela tem a preocupação de um mínimo de segurança para
poder deixar a Ilha do Fujão e se deslocar até o centro de Bragança
com o conforto e necessário para uma mulher de sua idade acompanhar
os festejos de São Benedito.
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| Eu com minha sobrinha Renata (foto Laiza Maria Santos) |
No
meu caso também foi uma promessa, eu fiquei doente e uma colega de
trabalho fez a promessa para que eu saísse de maruja por três anos,
e me senti na obrigação de cumprir a promessa dos outros. Mas se
for pra falar só do povo da Maxica, a primeira mesmo foi a Analia
que ainda criança se arrumou de Maruja e acompanhou a procissão,
mas ela foi por pura curiosidade. Mamãe fez o chapéu e eu costurei
a roupa pra ela.
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| Maria Luiza se preparando para a procissão (foto Laiza Maria Santos). |
Depois
disso a presença dos Rosário na procissão virou tradição e todos
nós fazemos questão de, em dezembro, oferecer o almoço que Mãe
Maxica fazia para o pessoal da esmolação do santo, de costurar nós
mesmos as saias e as blusas das mulheres e as roupas dos homens da
minha família, de encapar chapéus dos homens e de enfeitar os
chapéus das mulheres para no dia 26 de dezembro fazermos bonito na
procissão.
Ananindeua,
10 de fevereiro de 2012.
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